A Via Láctea pode ser uma exceção no universo

Observações de mais de 120 mil galáxias sugerem que a Via Láctea esteja “sozinha” no universo, pelo menos, de acordo com uma pesquisa de Benjamin Hoscheit. Ao lado da astrônoma Amy Barger, Hoscheit mediu a variação na densidade de galáxias, conforme estivessem mais próximas ou distantes da Via Láctea.

Na mesma direção das conclusões de um estudo anterior, os astrônomos descobriram que a Via Láctea tem um número muito menor de galáxias vizinhas do que se esperava. A hipótese aponta que a Via Láctea reside num vazio cósmico de, aproximadamente, 2 bilhões de anos-luz de comprimento — num raio de 2 bilhões de anos-luz de distância, partindo-se do centro da Via Láctea, há poucas galáxias, em comparação com galáxias observadas noutras áreas

Concepção artística da Via Láctea

Simulações computacionais sugeriram que a maioria das galáxias aglomeram-se ao longo de filamentos de matéria escura, os quais permanecem separados por grandes vazios cósmicos.

Se a hipótese sobre o vazio provar-se verdadeira, os cientistas teriam uma pista do porquê o universo parece expandir-se em diferentes taxas, dependentes da forma como são medidas. A saber: medições com a radiação cósmica de fundo sugerem uma taxa de expansão, por sua vez, medições de supernovas mais próximas sugerem outro valor para a mesma taxa, um valor maior.

Como corolário da pesquisa apresentada por Barger e Hoscheit, as supernovas receberiam um empurrão gravitacional maior de toda a matéria que reside na borda do vazio cósmico. Segundo Hoscheit, a expansão seria, na verdade, inferior àquela dada pela radiação cósmica de fundo.

“Se não levarmos em conta o efeito do vazio cósmico, a taxa de expansão poderá conter este erro, levando-nos a crer que é maior do que aparenta”, afirma Hoscheit.

ScienceNews