Raízes históricas das comemorações natalinas

A cada ano, próximo do início de dezembro, os cristãos do mundo todo montam suas árvores de Natal e enfeitam suas casas com guirlandas, velas e outros apetrechos que recordam a data cristã.  Este período forte da cultura ocidental, sobretudo forte nos países de cultura anglo-saxã e latina, é chamado de Advento e prepara os cristãos para festejarem o Natal. De onde vieram as tradições e práticas relacionadas às festas de final de ano?

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Similar à Quaresma, período de preparação para a páscoa, o Advento possui uma marca muito especial, a guirlanda enfeitada com 4 velas, ou a coroa do Advento. Cada vela é acesa num dos 4 domingos que antecedem o Natal; a prática nasceu de uma tradição popular que veio das casas para as igrejas. A cor roxa é a marca deste período e as leituras do serviço litúrgico remontam às profecias antigas dos textos bíblicos, as quais, segundo os cristãos, fazem referência a Jesus Cristo. O período é celebrado por diversas vertentes cristãs, os católicos, ortodoxos, protestantes históricos e novos.

Os historiadores da religião especulam que as origens do advento datam de antes do século IV a.c, embora os rituais que preparavam a celebração da natividade de Jesus eram praticados muito antes, com grande probabilidade. Naquele século, o concílio de Niceia, convocado por Constantino, imperador de Roma, fixou a data de 25 de dezembro como o dia oficial de comemorar o nascimento de Cristo. Uma coleção de homilias do papa Gregório, o Grande (590-604), incluía um sermão para o segundo domingo do advento, sugerindo o pleno estabelecimento das comemorações em preparação ao Natal, já naquela época.

Curiosamente, nos primeiros anos de existência desta estação litúrgica, o advento tinha 5 domingos. O papa Gregório VII (1073-1085) reduziu a duração do advento para 4 domingos. Com o passar dos séculos, o advento passou a agregar novos temas teológicos, como a Parusia (teologia acerca da segunda vinda e Cristo), além da preparação ao Natal. No passado, este período também contava com a prática do jejum e da penitência, algo como se vê hoje nas igrejas cristãs orientais que preservaram o caráter ascético da preparação religiosa.

Outra tradição do Advento é o famoso calendário leigo, um calendário estilizado que conta os dias para a véspera de Natal. A tradição teve início em países de cultura anglo-saxã, com a fixação de marca nas portas das casas, o calendário do Advento, contando os dias para a celebração do natal. A prática não segue, exatamente, o calendário litúrgico das religiões, mas cumpre o mesmo papel de antecipação do Natal. Esta tradição nasceu na Alemanha, com os protestantes.

No início do século 20, Gerhard Lang teria produzido o primeiro calendário impresso do Advento. O design foi inspirado em calendários artesanais que sua mãe fabricava em casa, durante a infância de Lang. Popularizou-se, então, a fabricação destes calendários para crianças, em que haviam cenas do nascimento de Cristo.

A popularização nos Estados Unidos ocorreu na época do presidente Eisenhower. Em 1953, a revista Newsweek publicou uma foto dos netos do presidente com estes calendários, um evento que massificou a prática e tornou o calendário uma tradição nacional na preparação para o Natal. Hoje, com a expansão comercial do tema natalino, pode-se obter calendários com temas que vão de Star Wars a caixas de chocolates caros.

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