Papiro roubado pode dar pistas sobre Jerusalém do primeiro templo

Roubado de um banco por ladrões, um antigo documento tem sido analisado, e poder ser o primeiro documento de sua idade, fora da Bíblia, a mencionar Jerusalém, antiga capital do reino de Judá.

Arqueólogos israelenses teriam datado os rolos como originários do sétimo século antes de Cristo, o período do suposto templo de Salomão. O documento, escrito em hebreu antigo, é feito de papiro e, ao ser traduzido, revelou ser uma espécie de recibo de venda de um carregamento de vinho. No texto, é possível ler a frase “da criada do rei de Na’arat, jarros de vinho à Jerusalém”, em tradução livre.

Papyrus roll 2

O papiro foi descoberto na mesma região dos famosos Pergaminhos do Mar Morto e está bem preservado, por conta do clima árido da região em que se encontrava, também conhecida por Deserto da Judeia. O documento é uma das raras evidências de que o Reino de Judá possuía alguma espécie de organização administrativa e alguma burocracia institucional, àquela época. O achado sublinha o papel central de Jerusalém como capital financeira do reino naquele período, sobretudo na segunda metade do século 7 a.c.

Outro ponto a ser considerado é a notável característica do deserto da Judeia como fonte de achados arqueológicos importantes, aponta Israel Hasson, diretor da IAA (Israel Antiquities Authority – grupo governamental para arqueologia). O diretor ainda manifesta-se a favor de mais investigações no sistema de cavernas do local, uma vez que estes documentos são delicados e suscetíveis às mudanças climáticas.

Nem tudo são flores

A descoberta já suscita divergências políticas.

Através de resoluções, a UNESCO ratificou que o monte do templo deveria ser referenciado apenas por seu nome árabe. O monte, como é sabido, trata-se do centro de culto da religião judaica. Jerusalém é considerada a terceira cidade mais sagrada para os muçulmanos. A decisão de “cortar” laços do judaísmo com a cidade, e por consequência do cristianismo, resultou numa comoção de muitos membros do governo israelense.

Miri Regev, ministra da cultura e do esporte de Israel e veterana das forças armadas, exalta o teor político da descoberta do papiro que contém a referência antiga sobre Jerusalém. “É uma prova tangível de que Jerusalém foi e sempre será a eterna capital do povo judeu”. Nas palavras de Regev, o monte do Templo é o coração de Jerusalém e de Israel e, a despeito da qualquer decisão da UNESCO, continuará sendo o local mais sagrado para o judaísmo.

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