História da Ciência, um olhar rápido: Mesopotâmia

Tableta babilônica com o cálculo da raiz quadrada

Babilônia, cidade que vivia às margens do rio Tigre, é sempre lembrada como precursora da Astrologia, aquela técnica milenar que visa traçar o futuro dos seres humanos, na observação e movimentação dos corpos celestes. Hoje, há ainda muitos seguidores da astrologia.

De qualquer forma, a mesopotâmia (região entre os rios Tigre e Eufrates) abrigou diversas civilizações que sucederam-se uma apos a outra. As mais notáveis foram a civilização suméria, os babilônicos (construtores da cidade) e os persas. A escrita é atribuída aos sumérios e foi passada aos babilônicos. Mas a ciência é, em maior parte, trabalho dos donos da cidade.

Tudo o que se sabe desta sociedade, está cravado em tábuas de argila, descobertas no século 19 por exploradores europeus. Diferentemente dos egípcios, os escribas da Babilônia registravam tudo em argila, com o uso de estiletes que gravavam as letras e números na argila em processo de aquecimento.

Diversos destes textos relatam problemas matemáticos práticos, a descrição de operações aritméticas básicas, contabilidade imperial e burocracia. Suas maiores contribuições foram à matemática crescente e, mil anos mais tarde, à astrologia, precursora da astronomia moderna.

Desenvolvimento Matemático

Do que se depreende das tábuas de argila, as crianças da elite babilônica podiam aprender a ler, escrever, realizar operações matemáticas e produzir tabletas de argila para escrita; assim formavam-se os escribas antigos!

Uma notável invenção babilônica foi o sistema hexadecimal de numeração. Este sistema é sempre renovado a cada 60 números. Riscos diagonais representavam as dezenas, riscos verticais representavam a unidade. Os primeiros nove dígitos eram dispostos em grupos de 3 riscos horizontais, porque o olho humano é capaz de distinguir 3 riscos com facilidade, enquanto que possui mais dificuldade em perceber 4 riscos, por exemplo. Tomemos como exemplo o número 59, após 5 traços diagonais e três grupos (com 3 traços verticais, cada), os escribas deslocavam tudo para a esquerda e iniciam o processo novamente, como fazemos na diferenciação entre o 100 e o 10.

Outra contribuição notável foi a divisão da circunferência em 360º.

Astrologia e Astronomia

No decorrer dos próximos mil anos, os astrônomos mesopotâmicos passam a registrar a movimentação dos astros nas famosas tabletas de argila. Importante salientar que, na época, não havia distinção entre religiosidade e ciência, por isso, fazia parte do trabalho do astrônomo o cálculo da posição dos planetas e as previsões de sorte ou azar sobre o rei ou sobre o povo. Até mesmo o regime de chuvas e o comportamento das nuvens estavam relacionados ao movimento dos corpos celestes, daí o nome "meteorologia", da moderna ciência atmosférica.

Diversas contribuições nos foram passadas das civilizações mesopotâmicas, o calendário dividido em 12 meses, um para cada mês lunar. O número 12 era muito mais interessante, pois pode ser dividido por 3 e por 4. Além disso, cabia perfeitamente na divisão esférica (e circular) de 360º. Os nomes dos meses permaneceram até hoje, nos nomes das constelações pelas quais o sol perfaz seu caminho anual. Quem já ouviu falar de Áries, Gêmeos ou Peixes?

A divisão do tempo em segundo , minuto (60 segundos) e horas (60 minutos) deve-se aos babilônicos, que também estabeleceram a divisão em 7 dias da semana. Até o calendário solar (com mais dias que os 365 conhecidos) teve ajustes na época, com a ocorrência de 13 meses a cada 3 anos.

Legado

Sem dúvida, este conhecimento foi transmitido à nossa civilização ocidental e permaneceu até hoje. A forma de contar o tempo resistiu nos calendários religiosos de cristãos e judeus, séculos mais tarde. Observe o exemplo da figura a seguir.

©Photo. R.M.N. / R.-G. OjŽda

©Photo. R.M.N. / R.-G. OjŽda

A ilustração Les Très Riches Heures du duc, de Berry, faz parte de um livro de horas canônicas do cristianismo católico medieval, para a devoção das preces na Liturgia das Horas. No topo, o calendário permitia a localização das festas litúrgicas e das horas canônicas em que rezariam. O legado ancestral sobreviveu e misturou-se a novos elementos de outras culturas: algarismos arábicos, escritos em latim e nomes das constelações antigas.

 

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Plenus

Apaixonado por ciências, música, línguas e teologia, adora adentrar nos mistérios da Rainha das Ciências, "linguagem pela qual Deus descreve o universo", diria Galileu Galilei.

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