História da Ciência, um olhar rápido: Grécia antiga - Parte I

Há muitas visões da história, e isto é ensinado pelos historiadores. Ao estudar a história dos pensadores gregos, alguns historiadores enaltecem os mirabolantes feitos dos heróis filósofos, fazendo parecer Aristóteles e Platão os reflexos de Hércules e Aquiles na área do conhecimento. Dessarte, a história parece ser um compêndio de feitos, um catálogo de realizações. Para o leitor que busca um conhecimento crítico, este olhar é, se colocado como única preocupação, pobre e incapaz de responder a todas as perguntas.

Por outro lado, conscientizemo-nos de que o romantismo narrativo faz parte de nossa natureza e move a humanidade. E, acima de tudo, a idealização e o romantismo com que lidamos com ideias e conceitos filosóficos, são matéria prima de nossos preceitos mais fundamentais nas ciências. Acaso já se provou que a velocidade da luz é relativa? Ou aceitamos o postulado de Einstein por sua beleza teórica e praticidade em resolver problemas matemáticos?

Conclui-se, portanto, que as visões romantizada e crítica podem conviver simultaneamente em uma tentativa honesta de conhecermos o passado científico. Do nosso ponto de vista, porém, a idealização parece estar um degrau acima na escala da importância e da estética.


 

Ideias abstratas e o início da arte matemática: a demonstração

Sem deixar de citar o heroísmo de alguns matemáticos, os grandes nomes do conhecimento clássico, Tales, Euclides, Pitágoras e Arquimedes, foram, de certo modo, os precursores da idealização no campo do conhecimento. Se os antecessores babilônicos, sumérios e egípcios empregavam uma natureza muito mais prática à matemática (em especial, à geometria), os gregos antigos moldaram e aperfeiçoaram o que chamamos de demonstração matemática.

Para tanto, começaram a idealizar conceitos abstratos que satisfazem o mais perfeccionista ourives. Isto é, da necessidade humana em idealizar modelos para o mundo ao seu redor, nasceram os conceitos primitivos da geometria plana (existência de entidades perfeitas como pontos, retas e planos), e os axiomas que forneciam os papéis de cada um destes entes matemáticos abstratos. Estes modelos abstratos, embora procurassem refletir a realidade, mostraram-se perfeitos demais e, ao mesmo tempo, extremamente úteis dentro da abstração.

Sim! Com o advento da visão romântica da geometria, até então prática, os matemáticos gregos tornaram possível a demonstração da existência de figuras geométricas e a confirmação de propriedades que eram utilizadas na prática. Posso citar algumas figurinhas carimbadas dos que prestam vestibular: lei dos cossenos, propriedade do baricentro do triângulo isósceles, fórmula da área de Herão, fórmula do perímetro de um círculo, dentre muitos outros.

O Teorema de Pitágoras, conforme mencionado, já era conhecido muito antes daquele que emprestou-lhe o nome, mas a Pitágoras é creditada uma das demonstrações deste teorema. A revolução dos gregos foi a concessão de uma natureza completamente nova à matemática - o caráter abstrato e teórico. Assim nasceu a matemática moderna.

Alguém diria que toda esta idealização é uma ilusão que nos tira da realidade? Mesmo diante das vantagens práticas que adquirimos com todo este conhecimento abstrato?

Infelizmente, para muitos cientistas de hoje, a idealização é uma forma de "afastar-se da realidade" ou de "acreditar no que satisfaz as próprias crenças do indivíduo". Embora haja certa razão no que é dito - nos 20 séculos seguintes a "Pitágoras e cia", a ciência permaneceu confortavelmente bem com modelos filosóficos do cosmos, da matéria e a biologia, enquanto carecia do empirismo necessário -  todas as conquistas modernas, ainda que tenham ocorrido com a aquisição de dados que corroboravam a hipótese, só foram possíveis graças ao excesso de idealização e abstração na matemática. Ou seja, todos os avanços conquistados, desde de máquinas a vapor, até sistemas de ressonância magnética, são resultantes da coexistência pacífica entre empirismo e idealização.

Veremos quais foram as principais ideias dos gregos com relação à cosmologia e à estrutura da matéria.

The following two tabs change content below.

Plenus

Apaixonado por ciências, música, línguas e teologia, adora adentrar nos mistérios da Rainha das Ciências, "linguagem pela qual Deus descreve o universo", diria Galileu Galilei.

Latest posts by Plenus (see all)

300x250 - Acessorios
Banner 300x250