Matéria escura é nome que pode soar cool e empolgante para os aficionados por divulgação científica. Mas ninguém pode negar que as teorias ainda engatinham e por vezes são desafiadas por novas descobertas.

Recentes observações de galáxias anãs mostram órbitas incompatíveis com as previsões teóricas para a composição do sistema do qual fazem parte estas pequeninas. Duas anãs pertencentes ao sistema galático de Centauro A percorrem um loooping coordenado, em vez de se moverem rapidamente de modo caótico, como a teoria prevê.

NGC 5128 – ESO / ESA / Hubble / NASA / Digitized Sky Survey / Davide de Martin.

De acordo com um dos autores do estudo, Oliver Müller, astrônomo da Universidade suíça da Basileia, os cientistas ainda não desvendaram algo muito importante que parece faltar à teoria.

Um dos modelos atuais simula a existência de uma rede gigantesca de matéria escura, que seria responsável por unir as maiores estruturas cósmicas: galáxias. A substância etérea parece produzir toda a matéria visível, mas atua apenas através da força gravitacional. Mais ainda: as simulações preveem que os nós desta extensa rede ocorrem no local onde moram as galáxias.

Enquanto as grandes galáxias seriam comparáveis a cidades, as pequenas galáxias seriam os carros e veículos que circulam de uma cidade a outra. As rodovias comparam-se aos filamentos de matéria escura. Seguindo a simulação proposta, as galáxias pequenas devem comportar-se com imprevisibilidade e descrever altas velocidades.

Outros estudos utilizam a nossa Via Láctea e sua irmã Andrômeda para por em cheque o modelo da rede de matéria escura. Ao redor delas, pequenas galáxias satélites exclusivas de cada uma parecem descrever uma harmonia orbital, como se estivessem as pequeninas conectadas, orbitando um mesmo plano tridimensional, embora sejam satélites de galáxias distintas. Até então os cientistas perguntavam-se se o fenômeno era restrito às galáxias de Andrômeda e Via Láctea, elementos do Grupo Local galáctico.

No entanto, o fenômeno foi observado mais uma vez, agora na Centauro A, um objeto exterior ao Grupo Local. Este foi o resultado obtido por Müller e seus colegas.

Ao lado dos dados obtidos, a equipe pretende investigar o fenômeno em outras galáxias satélites. Se as observações forem novamente verificadas, os astrônomos e cosmólogos terão de repensar o modelo da matéria escura e sua relação com a estrutura cósmica conhecida.

ScienceNews

 


Plenus

Apaixonado por ciências, música, línguas e teologia, adora adentrar nos mistérios da Rainha das Ciências, "linguagem pela qual Deus descreve o universo", diria Galileu Galilei.