Há 5 anos, o prêmio Nobel de Física foi dado a astrônomos que descobriram a expansão e aceleração do universo. A conclusão foi baseada no evento La Supernovae, uma espetacular explosão termonuclear de estrelas mortas. Os dados foram obtidos pelo Hubble e por grandes telescópios em terra firme. Isso levou à ideia de que o universo estivesse impregnado por uma substância misteriosa, denominada “Energia Escura”, que conduzia esta acelerada expansão.

eso1Agora, o pesquisador Subir Sarkar, físico da universidade de Oxford, e sua equipe põem em cheque este conceito padrão da cosmologia. Usando uma quantidade muito maior de dados – um catálogo de 740 “La Supernovae”– os cientistas descobriram que as evidências para a aceleração podem ser mais frágeis do que se pensava, tendo em vista a ocorrência de dados em consistência com uma taxa constante de expansão. O estudo foi publicado no periódico “Scientific Reports”.

“As descobertas anteriores, que receberam ao prêmio Nobel, levaram a comunidade científica a aceitar largamente a ideia de um universo impregnado de “energia escura”, que se comporta como uma constante cosmológica. Entretanto, agora há uma base de dados muito maior de supernovas, sobre a qual podemos aplicar uma análise estatística rigorosa e detalhada”, afirma o professor Sarkar.

“Analisamos o catálogo mais recente – de 740 ocorrências do tipo “La Supernovae”, um número 10 vezes maior que a amostra da descoberta anterior –, descobrimos que as evidências para uma expansão acelerada são, no máximo, o que os físicos chamam de ‘3-sigma’. Isto é inferior ao ‘5-sigma’, padrão necessário para definir se uma descoberta é de significância fundamental”, emenda o professor.

Embora existam outras fontes de dados que parecem reforçar a ideia do universo acelerado, como a Radiação Cósmica de Fundo, o professor Sarkar afirma: “Todos estes testes são indiretos; carregam as características de um modelo assumido previamente, e a radiação cósmica de fundo não é afetada pela energia escura diretamente. É bem possível que estejamos incorrendo em um erro, e que esta aparente manifestação da energia escura seja consequência de uma análise de dados que simplifica demais o modelo teórico.”

Apesar disso, ele admite: “Há muito trabalho a ser feito ainda para convencer a comunidade científica sobre o tema, mas nosso esforço serve para mostrar quão instável é o modelo padrão”.

Fonte: ScienceDaily

 


Plenus

Apaixonado por ciências, música, línguas e teologia, adora adentrar nos mistérios da Rainha das Ciências, "linguagem pela qual Deus descreve o universo", diria Galileu Galilei.