Estranho fenômeno quântico é confirmado por cientistas

Astrônomos podem ter encontrado primeira evidência observacional de estranho fenômeno quântico, predito nos anos de 1930. A polarização da luz observada sugere que o espaço vazio, no entorno da estrela de neutros, esteja sujeito ao fenômeno da Birrefringência.

Os pesquisadores, liderados por Roberto Mignani, usaram o VLT (Very Large Telescope) do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile, para estudarem a estrela de nêutrons, RX-J1856-3754, distante 400 anos-luz da terra.

As estrelas de nêutrons são remanescentes muito densos de estrelas massivas que explodiram em supernovas no final de suas vidas. Para dar uma ideia, imagine que elas são, no mínimo, 10 vezes mais massivas que o Sol. Estas estrelas também produzem um intenso campo magnético, bilhões de vezes superior ao campo magnético solar. De tão fortes, os campos magnéticos conseguem interferir em propriedades do vácuo circunvizinho à estrela.

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Geralmente, pensa-se no vácuo como um espaço completamente vazio, por onde a luz pode viajar sem obstáculos, mas sob a óptica da eletrodinâmica quântica, existem interações entre fótons e outras cargas, ou seja, o espaço vazio é repleto de partículas que aparecem e desaparecem a todo momento. Por conta disso, a atuação de campos magnéticos extremos sobre o vácuo pode alterar o espaço e afetar a polarização da luz que atravessar aquela região.

Mignani explica :”De acordo com a teoria da eletrodinâmica quântica, vácuos altamente magnetizados comportam-se como um prisma para a propagação da luz, este efeito é denominado birrefringência do vácuo”.

Dentre muitas das previsões teóricas da eletrodinâmica quântica, a birrefringência do vácuo carecia de uma prova experimental; as tentativas de detecção em laboratório vem falhando há 80 anos, quando foi teorizada por Werner Heisenberg (pai do princípio da incerteza) e Hans Heinrich Euler.

“O efeito pode ser observado apenas com a presença de poderosos campos magnéticos, como aqueles que rodeiam as estrelas de nêutrons. Isto mostra, pela primeira vez, que estrelas de nêutrons são inestimáveis laboratórios nos quais podemos estudar as leis da natureza”, afirma Roberto Turolla, da Universidade de Pádua.

“As medições da polarização que vem com a próxima geração de telescópios, terão papel central nos testes relativos às predições da eletrodinâmica quântica sobre o birrefringência do vácuo, em outras estrelas de nêutrons”, emenda Mignani.

ScienceDaily