Astronomia antiga fomentou construções megalíticas

Pela primeira vez, cientistas provam que antigos monumentos britânicos de pedra foram construídos, tendo a astronomia em mente.

Por meio de técnicas inovadoras em 2D e 3D, pesquisadores da universidade de Adelaide provaram ,estatisticamente, que círculos de megálitos espetaculares, construídos 500 anos antes da famosa Stonehenge, foram dispostos em linha, de acordo com movimentos do Sol e da Lua.

A pesquisa publicada no jornal “Archaeological Science: Reports”, joga luz nas relações que os antigos povos das ilhas britânicas tinham com o céu, ligando a terra a fenômenos astronômicos, através de monumentos espetaculares. 

“Nunca havia sido provado ,estatisticamente, que um único círculo de pedra tenha sido construído com intuito de seguir fenômenos astronômicos; tratava-se de suposição”, comenta o pesquisador Dr. Gail Higginbottom. Além disso, a pesquisa mostra que a relação entre os britânicos e os movimentos dos astros perdurou por mais de 2.000 anos.

Callanish, localizado na ilha de Lewis, e Stenness, Ilha de Orkney, são os mais antigos círculos de pedras na Escócia, construídos no Neolítico tardio, acerca de 5000 anos atrás. Sempre se cogitou que os megálitos tinham sido concebidos para refletir o cosmos, mas os testes quantitativos forneceram a evidência definitiva e convincente de que isso era, de fato, o caso.

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Douglas Scott

A equipe de pesquisadores encontrou uma grande concentração de alinhamentos em direções do Sol e da Lua, em momentos diferentes dos ciclos dos astros. Notavelmente, os monumentos não estavam apenas ligados aos movimentos astronômicos do Sol e da Lua; de acordo com os pesquisadores, existe uma complicada relação entre as pedras, as paisagens ao redor dos monumentos, o horizonte e o movimento dos astros naquelas paisagens; metade das paisagens mantinham um padrão, a outra metade mantinha um padrão completamente oposto.

“A escolha destas paisagens circunscritas aos monumentos teria sido influenciada pelo trajeto do Sol e da Lua, quando vistos em seus momentos de nascimento e poente, e por sua configuração em momentos especiais; por exemplo, quando a Lua nasce no extremo norte do horizonte, algo que ocorre apenas a cada 18,6 anos”, explica Higginbottom.

As descobertas pintam um quadro que mostra a sofisticação das sociedades neolíticas tardias na Escócia, e sua profunda conexão com o ambiente que os cercava. “Com muito esforço, estas pessoas escolheram erigir grandes pedras de modo muito preciso, relacionando-as à paisagem e à astronomia que conheciam. Isto mostra como era importante, culturalmente, esta conexão entre eles e o ambiente”.

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